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Que raios pensa a
humanidade? N�o me importa muito o como fazer as coisas. Penso que devo
existir, a despeito de quem se incomoda com isso. Estranha, estranha,
estranha... Julho de 1993. A casa est� aberta. Eu me tranco onde ningu�m v�. Vov� fica aos gritos, mas h� um sil�ncio reinante no quarto ao fim do corredor. A exist�ncia � uma coisa engra�ada: para mim, n�o basta respirar.
Julho de 1993. Chove. A chuva lava as cal�adas e umedece a terra. Mas minha alma transborda sem chuva. Gosto do cheiro que sobe �s narinas, ap�s a chuva. Mas n�o me lembra a vida. N�o, penso na morte. Na morte como uma maneira estranha de viver a exist�ncia completa. Misturar-se ao ar, dividir-se em in�meras part�culas sem nomes e descend�ncia. Ser livre. E invis�vel. Julho de 1993. Uma borboleta pousou hoje em minhas m�os. Voa borboleta, voa!
Julho de 1993. Biles, catarro, excremento, urina. Ang�stia e sil�ncio. Retrato postergado ao futuro. Meu pai. Minha m�e. Sil�ncio. Ang�stia. Dan�a, menina, dan�a.
Julho de 1993. Gosto da sonoridade de Agosto. Parece que o mundo inteiro suspende a respira��o. Como se houvesse algo ap�s as retic�ncias. Mas nem sempre h�. E quem diz o contr�rio est� certamente mentindo! Agosto...
Agosto de 1993.
Sonhei que era �rvore. Uma �rvore an� que dava enormes frutos. Maiores do que a pr�pria sombra que circundava o p�tio onde estava minha �rvore. Onde fui plantada. Onde cresci sem depender dos cuidados alheios de quem lembrasse de regar as ra�zes. Uma �rvore an�. Acordei encolhida na cama.
Agosto de 1993.
Aurora. Esse � o nome da menina de vestido de bolinhas que pula corda em frente � cal�ada. Aurora. Que nome estranho para uma crian�a! �Aurorinha, minha filha...� Eu n�o suportaria um diminutivo desse. � como Sofia. Ningu�m que se atreva a me chamar diferente disso.
Agosto de 1993. |