O que o leitor vai ler a seguir s�o fragmentos de hist�rias que me ajudaram a compreender a minha pr�pria exist�ncia. N�o conheci a maioria dessas mulheres e, apesar disso, sinto-as todas. Como se em cada canto de mim houvesse uma por��o com nome diferente. Sei que vivemos numa era onde a urg�ncia da informa��o nos impele para o futuro. N�o h� mais como nos lan�armos numa poltrona e nos deixarmos divagar pelas incertezas sem que, com isso, fiquemos com a sensa��o de que o bonde passou e que n�s n�o estamos dentro dele � s�o tantos os livros (e eu ainda nem sequer completei a lista dos cl�ssicos!), as newsletteres, os especiais televisivos... Mas acho que h� momentos de nossas vidas que � preciso deixar mesmo o bonde passar. Sem culpa. Como �quele instante em que nos vemos fisgadas pela imagem do espelho que j� n�o nos diz nada ou, pior, nos abre uma enorme e assustadora interroga��o. Talvez seja essa a sublime hora da verdade. Quando descobrimos que passamos a vida como uma tela � espera da assinatura final do artista: sem identidade. Acho que � nessa hora, se ainda n�o o fizemos, que devemos esquecer a lista dos livros n�o lidos, deletar do computador as newsletteres que abarrotam a caixa postal e desligar a televis�o. Esquecer do bonde mesmo e buscar a imagem que o espelho n�o reflete. � a hora de olhar para tr�s...
A.
