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Uma for�a infame me empurra para o confronto. � preciso escrever, mas as palavras me traem. Ainda assim, insisto. E resolvo tamb�m brincar com elas. Escondem-se? Ent�o acharei termos capengas que possam aliviar o peito dolorido. Adjetivos, adjetivos, adjetivos! A lucidez � agora um fardo pesado e isso explica o fato de embriagar-me com cigarros e vinhos. Na verdade, gostaria de escrever o poema (ou seria uma hist�ria?) sussurrado insistentemente aos meus ouvidos. N�o sei ao certo como come�a nem tampouco o seu final. Lembro-me vagamente de algumas palavras: sonho, ang�stia, menina empinando pipa, papagaio, circo (sem palha�o), chuva, sorvete caramelado. Mas onde estar� ele? Uma po�a d��gua sujou meu vestido branco e eu nem tinha um cavalo! Uma andorinha voou � colibri foi o nome escolhido para o �ltimo col�rio lan�ado no mercado. Mas eu n�o uso col�rios. Tenho medo. Prefiro limpar os olhos vendo andorinha voar. Uma buzina atrapalha o sono dos vizinhos enquanto um solit�rio cachorro tenta confessar suas dores. O carro passa e todo o condom�nio dorme impunemente. Ou�o o sussurro do ar-condicionado e tento adivinhar suas m�goas, por que lig�-los tantas vezes ao dia? O inferno nos espera com data marcada. Ora, ora, e tremem as m�os. Po�a d��gua. Essa palavra me persegue ultimamente. Fico imaginando o motivo. Ter�o os deuses algum recado que n�o consegui interpretar? Gosto de po�as d��gua. Elas me lembram pequenos lagos onde podemos botar a navegar embarca��es de papel. J� ca� em alguma? N�o me recordo. Anotarei para a pr�xima lista de fim de ano: chafurdar numa po�a d��gua. O vinho come�ou a cumprir sua fun��o principal. Nem adianta agora recorrer ao livro que estou lendo. Melhor viajar nesse tremor de m�os, no jazz que coloquei na vitrola (adoro essa palavra!) e no cigarro que quase queimou meu dedo indicador. Indicador me fez lembrar de anelar. Meu anelar est� vazio. Ou�o o barulho do port�o. E depois do carro. Tristeza chega mansinho, sem pedir licen�a. |