Cavalhadas
Lembran�as de Sena Madureira
Cena 1: Jo�o � um negro forte, acostumado com o la�o e a lida no campo.
Violeiro por obra do cora��o, n�o dispensa um arrasta-p� para dedilhar versos
melosos � menina Luzira, filha mais velha de dona Chica. T�mido como os pe�es da
antiga, Jo�o lamenta a falta de aten��o que a mo�a lhe dispensa e seus olhos s�
n�o se tornam mais tristes porque � conhecido, naquela regi�o, como a for�a do
encarnado.
Farm�cia Verde
Conhecimento da Fitoterapia ganha for�a no fim do
mil�nio
Conhecer e usar o
poder das plantas est� deixando de ser coisa de "bruxo" para se tornar, cada vez
mais, uma alternativa ao uso de produtos alop�ticos. Segundo dados da
Coordena��o Nacional da Ind�stria (CNI), o mercado de fitoter�picos tem crescido
6% ao ano nos Estados Unidos. Na Amaz�nia, maior reserva de biodiversidade do
planeta, as popula��es tradicionais come�am a resgatar esse conhecimento
apoiadas por governos e ONGs.
Reserva de
esperan�as
Pol�tica de apoio ao
extrativismo faz seringueiros voltarem para o corte da
seringa
Severino Fernandes Teixeira, 47,
aprendeu a caminhar pelas estradas de seringa ainda menino. Mais de 20 anos de
sua vida foram dedicados � extra��o do l�tex, um trabalho que ele realizava, at�
o final da d�cada de 80, com a perseveran�a daqueles que se habituaram a
levantar da rede antes do sol nascer para percorrer longos caminhos em meio �s
seringueiras.
Nos anos 70, Severino acompanhou o surgimento dos empates, a
luta pela forma��o dos sindicatos e o nascimento de l�deran�as como Chico
Mendes.
Na terra de Pawa
Nossa hist�ria come�a na aldeia Apiwtxa, onde os paj�s
desvendam os mist�rios da mata e entoam as can��es do Kamar�pe. � l� que os
�ndios se confraternizam no Piarentsi - e cantam e dan�am e tocam. � dos
terreiros circundados por palafitas, nos barrancos da margem direita do Rio
Am�nia, que a m�sica Ashaninka quer sair para o mundo: "K�ta eroka t�
pikameta/Naka pero pikowi pini..."
Aldeias de resist�ncia
Quando as caravelas de Cabral aportaram na costa brasileira, cinco milh�es de
�ndios habitavam o Brasil. Nos �ltimos 500 anos, por�m, mais de mil l�nguas
ind�genas desapareceram junto com seus povos. Segundo estimativas da Funai, as
220 etnias que sobreviveram ao genoc�dio do homem branco somam hoje uma
popula��o de apenas 350 mil �ndios. Mas no Acre, dados de entidades indigenistas
n�o governamentais indicam que a popula��o de algumas tribos est� crescendo. E o
que � melhor, os �ndios est�o mais organizados e lutando pelo resgate e a
preserva��o de sua cultura.
Amap� Sustent�vel
Um
modelo de desenvolvimento para a Amaz�nia
Al�m de mostrar a experi�ncia do Amap� com o desenvolvimento sustent�vel, o
semin�rio abriu espa�o para as cr�ticas de quem acompanha o PDSA desde 1995. � o caso do cientista e professeur em�rite Alain
Ruellan, de Montpellier, na Fran�a. Aos 70 anos de idade, Ruellan � um dos mais
importantes analistas do programa. Consultor internacional do governo do Amap�
desde o primeiro mandato de Capiberibe, ele fez diversas observa��es ao
PDSA.
Revolu��o
na Floresta
Desde 1995, o governador Jo�o Alberto Capiberibe, 52, enfrenta a f�ria das
elites que resistem � proposta de seu governo, o Programa de Desenvolvimento
Sustent�vel do Amap� (PDSA). Recentemente, chegou a ser amea�ado com um processo
de impeachment orquestrado por deputados estaduais insatisfeitos com o apoio do
governo � CPI do narcotr�fico. Nessa entrevista, dada por Capiberibe no final de
junho, o governador faz uma an�lise do PDSA e diz que o maior desafio do
programa � fazer com que a popula��o entenda que o desenvolvimento sustent�vel �
o melhor modelo para o Amap� e toda a Amaz�nia.
Flor das Letras
At� os dez anos de idade, a pequena Florentina se entreteve com o entra e sai
dos h�spedes no hotel de seus pais, o Madrid. Antes dos 20, ela desfez um
noivado quase � beira do altar e resolveu ir para o Rio de Janeiro se dedicar
aos estudos. Formou-se em Filosofia e foi professora de Franc�s. Hoje, aos 69
anos, � a escritora Florentina Esteves. Autora de livros como "O empate" , e
"Enredos da mem�ria", ela nos recebeu em sua casa para uma conversa sobre a
antiga Rio Branco e a import�ncia de algumas lembran�as na constru��o de sua
prosa.
Hist�rias de um sertanista
O sertanista Jos� Porf�rio de Carvalho
chegou ao Acre no final de 1974. Enviado pela Funai "para n�o fazer nada",
Carvalho passou tr�s anos no estado - � dele o primeiro levantamento que apontou
a exist�n-cia de �ndios no Acre. Nesse per�odo, enfrentou fazen-deiros,
denunciou um general em plena ditadura e foi respons�vel pela pris�o do lend�rio
Pedro Bil�, um matador profissional de �ndio. Hoje, aos 55 anos, ele
desenvolve projetos indigenistas em Roraima e no Par�. Casado com Maria
Jos� e pai de tr�s filhos, o sertanista esteve no come�o de agosto em Rio
Branco. Ele veio a convite do governo do estado para discutir
a��es mitigadoras ao asfaltamento da BR-364, que passa em �rea
Katukina, ocasi�o em que falou � outraspalavras. Na entrevista, Carvalho
lembra como "tomou na marra" a fazenda de Diogo de Melo, fala das amea�as
de morte que recebeu e da briga com setores da
Igreja.
Shenipabu Miyui
Hist�ria
dos Antigos ser� leitura
obrigat�ria no vestibular de Minas Gerais"(...)S� agora nos �ltimos anos � que estamos com os direitos de ter uma
comunica��o atrav�s da escrita na nossa l�ngua pr�pria. Sendo um processo novo
para os �ndios e para os assessores, encontramos v�rias interroga��es no ar.
Como se f�ssemos andorinhas voando para pegar as moscas de sua alimenta��o numa
tarde de temporal de chuva. Mas o t�nel do futuro mostra que somos capazes de
realizar os sonhos que sempre tivemos como povos diferentes, valorizados dentro
de n�s mesmos e espiritualmente."
A
rua � o meu lugar
Na vida da atriz, diretora e contadora de hist�rias
Karla Martins, 30, o teatro est� no centro de tudo. Foi gra�as a essa paix�o que
ela desistiu de seguir a veia jornal�stica da fam�lia - al�m dos tios �dson e
Ed�lson Martins, a irm� mais velha tamb�m � jornalista - e acabou criando
coragem para entrar em uma universidade de Teatro, e subir aos palcos. O destino
mostrou que Karla tinha feito a escolha certa. Seu primeiro trabalho, aos 18
anos, foi dirigido por Leila Tavares, a atriz que encantou Nelson Rodrigues e
para quem ele escreveu o Anti N�lson.